sábado, 6 de novembro de 2010

uma conversa com o leitor do blog

   Os personagens são melancólicos nos contos? Sim, sem dúvida.
   Flaubert disse "Madame Bovary c`est moi". É claro que há algo do autor em cada personagem criado e , aqui, não seria diferente.
   A melancolia é uma faceta da vida. Ela não é a vida. Escrever sobre ela é terapêutico.Ler sobre ela também pode ser terapêutico. Mergulhar nela é patológico e requer que se procure ajuda. A vida é feita também do amor, do trabalho, da arte, da fé, dos amigos , familiares, da política. A vida não é só o que passou. É o hoje e o amanhã. O imponderável surpreende não só para o mal, mas também para o bem.
   Creio que a Arte e a religião são boas redenções para a melancolia. Creio, profundamente, que há um Deus bondoso por detrás do imponderável. Creio, profundamente, que este Deus, por cada um de nós, crente ou não, vela a cada passo de nossas vidas. Creio que Ele se compadece de nossas dores. Creio que elas não duram para sempre. Creio na capacidade do homem de resistir, de ser alegre e feliz, mesmo que essa felicidade não seja um estado permanente. Creio que tal capacidade é um dom de Deus e que está latente em cada um de nós. Se em nada disso cresse, não teria libido para escrever, não sorriria, não estudaria, não trabalharia, não amaria, não oraria.
   Os contos mostram momentos muito verossímeis de melancolia e de pessoas melancólicas. Mas, mesmo tais pessoas experimentam momentos outros de felicidade e alegria, em que a melancolia fica suspensa.A vida não é um samba de uma nota só. O problema é que é difícil escrever sobre a alegria: ela é monótona, quando escrita. A alegria é para ser VIVIDA. Não há tempo para escrever quando se tem que ser alegre. É a dor que requer elaboração, significação, simbolização.   É a dor que exige que se desvende seus porquês. A alegria é mais simples. Ninguém fica se indagando, em tom reflexivo: "por que estou alegre, meu Deus? O que se passa?"
    Quando a melancolia leva a uma depressão clínica, à desesperança, à falta de vontade de viver, deve-se procurar um psiquiatra. Há tratamento. Há sempre uma saída. Sempre, mesmo quando se pensa que não há.
    O "conto" de hoje é: saiam, vão ao Cinema(assisti ao novo filme do Jabor na semana passada), tomem sol, caminhem, chamem um bom amigo para um bom café e joguem conversa fora, ou olhem, pela janela, para o Céu e falem com Deus. Toda prece é ouvida. Enfim, vivam um conto de alegria e escrevam os de tristeza nos diários ou deles façam um relato num divã. Ou criem um blog...rsrs
    Uma frase do Nanini, no filme do Jabor, é ótima:" a vida gosta de quem gosta dela".
   Que Jesus abençoe a todos os leitores hoje e sempre, para que gostem da vida...apesar das melancolias...rsrs.

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