Eu sou muito falha para ser digna de escrever sobre Jesus. Mas, por outro lado, preciso fazê-lo.
Existe uma faceta do cristianismo que me fascina, e, sobre ela, quero redigir algumas considerações.
Eu não sou historiadora, mas permitam-me a ousadia de fazer algumas reflexões:
Os hebreus introduziram, na cultura humana, a maravilhosa ideia de que há um Deus único, que Se preocupa, amorosamente, com os seres humanos. Esse Deus Criador personifica, no judaísmo, o Pai-lei, num sentido amoroso: a lei seria o norte a ser seguido a fim de que se alcançasse paz, felicidade, bênção. Portanto, a finalidade da Lei, no Antigo Testamento(e também no Novo) é de cunho misericordioso, pois é o bem-estar do homem, e não a subserviência a caprichos de uma divindade ou a interesses de uma elite.
O Novo Testamento e, portanto, o cristianismo não abolem os Dez Mandamentos, mas confere-lhes nova vida, um novo meio de aplicação. A faceta amorosa de Deus, em Jesus, é levada às últimas consequências, quando Este morre para salvar a todos nós da morte eterna que nos esperava após o fim da existência do nosso corpo corruptível. A faceta amorosa e misericordiosa divina também se mostra e muda, de forma radical, o mundo quando Jesus estende as mãos aos marginalizados, aos discriminados, àqueles que, pela aplicação tacanha da letra da lei, estavam condenados e excluídos. Isso é profundamente revolucionário na história das religiões. Com Jesus, o cobrador de impostos pode se tornar discípulo, a prostituta pode ser a primeira a ver Cristo ressuscitado, os leprosos podem se aproximar do Mestre e obterem cura, Zaqueu( que personifica o corrupto poderoso) pode jantar com o Rabi, a adúltera não é apedrejada... O Amor e Misericórdia de Cristo,conferindo verdadeiro sentido à lei, a meu ver,são a maior revolução da Humanidade. Estou a dizer que cada um daqueles a quem a misericórdia foi concedida pôde continuar a pecar? Não. Mas digo que antes que parassem de pecar, o Mestre deles se aproximou e os perdoou. Isso é a Misericórdia. Isso é o Amor. Isso é Revolução: que Deus nos busque antes que O busquemos e nos ame antes que O amemos e que peça que façamos o mesmo com nossos irmãos.
Eu faço isso? Não. Infelizmente, não. Mas, se admiro tanto esses princípios, posso vir a aplicá-los algum dia, com coerência e constância, mesmo que sem perfeição.
Pode-se condenar o pecado, mas somente se amar-se, profundamente, o pecador. E não se pode, jamais, condenar a pessoa deste. Afinal, o que é cada um de nós senão pecador e quem ousaria dizer que peca menos do que seu irmão? Quem sonda os corações senão Deus? E onde residem os pecados senão nos corações?
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