sábado, 26 de fevereiro de 2011

La tendresse, de Daniel Guichard

La tendresse
C'est quelquefois ne plus s'aimer, mais être heureux
De se trouver à nouveau deux
C'est refaire pour quelques instants un monde en bleu
Avec le coeur au bord des yeux

La tendresse, la tendresse
La tendresse, la tendresse

La tendresse
C'est quand on peut se pardonner sans réfléchir
Sans un regret sans rien se dire
C'est quand on peut se séparer sans se maudire
Sans rien casser, sans rien détruire

La tendresse, la tendresse
La tendresse, la tendresse

La tendresse
C'est un geste, un mot, un sourire quand on oublie
Que tous les deux on a grandi
C'est quand je veux te dire "je t'aime" et que j'oublie
Qu'un jour ou l'autre l'amour finit

La tendresse, la tendresse
La tendresse, la tendresse
La tendresse, la tendresse
La tendresse, la tendresse

Daniel Guichard

A ternura

    A ternura não vai ser pauta das discussões da ONU sobre a paz mundial. A ternura não fará nenhum cientista descobrir a cura para o câncer. A ternura não muda em nada o mecanismo de ação dos antidepressivos.  A ternura não diminui o aquecimento global. A ternura não é assunto da Comissão de defesa dos Direitos Humanos. A ternura não interessa ao G20. A ternura não resolve as crises econômicas. A ternura não evita que a economia européia afunde. A ternura não impede que a profecia maia sobre o fim do mundo se concretize. A ternura não nos protege de meteoros gigantes. A ternura não traz dinheiro. A ternura não aumenta o salário mínimo. A ternura não eleva a disponibilidade de água doce no planeta. A ternura não mata o vírus que causa a  dengue.  A ternura é só uma palavra distante para quem tem fome neste instante e pode vir a morrer de desnutrição no próximo. A ternura não é científica. A ternura não pode ser comprovada. A ternura é piegas. A ternura é brega. A ternura não está na moda. A ternura não é séria. A ternura é demagoga. A ternura é ridícula. Mas eu não consigo pensar em mais nada que possa salvar o homem de si mesmo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Billy Joel- Vienna (with lyrics)

Reflexão a partir do filme Mar Adentro

      Ramón dedicou mais de vinte anos de sua vida no firme propósito de morrer. Luta obstinada contra o viver. Não percebeu ele que, durante a batalha ferrenha, a vida foi-lhe devolvida: pôde amar e ser amado, cuidar e ser cuidado, pensar e escrever, ter ideias e criar, mais do que muitos dos que andam e correm jamais o farão. Mas ele estava cego, obstinado por provar que a palavra final era a dele. Não viu que a vida estava ali, rondando-o, convidando-o. Não viu, nem sequer, que enquanto perseguia a morte, ele experimentava a vida com certo prazer e que até já aceitava muitos de seus convites. Mas era preciso vingar-se do destino, de Deus. Era preciso dizer que não era aceitável que um infortúnio ou vontade de um Ser superior lhe confinassem à cama. A última palavra tinha que ser a dele. Nós não escolhemos o dia de nascer. Mas ele precisava escolher o de morrer. Era isso que ele queria no dia trágico que mudou o rumo de sua história? Havia sido o pulo na água uma tentativa de suicídio? Não sei.
       Inconformado, ele fez da morte seu ideal de vida, a razão do existir, a ideologia a ser defendida. Não viu que as razões do existir eram outras, muitas e pequenas; eram banais deveras e, ao mesmo tempo, sagradas.Sim, o viver escondia-se em cada sorriso, em cada carinho, em cada ajuda que lhe prestavam e que ele prestava. A vida o cercava amorosamente, de forma delicada. Não percebia ele que, na imobilidade de seu leito, era objeto e sujeito do milagroso amor que une famílias, amigos, amantes. Milagre que muitos que se locomovem não experimentam. Mas seu compromisso era com a morte, pois era necessário ser o senhor do destino.
       Todos nós erramos e erraremos nesta vida, inexoravelmente, por não sabermos identificar em que momentos devemos interferir no curso da vida e em que momentos devemos aceitá-lo.Ou melhor, nunca saberemos , exatamente, como aceitá-lo, modificando-o suavemente conforme ele mesmo permita, através de "portas", "brechas". Nada nunca é uma prisão deveras. Mas é um dos atos mais difíceis para o ser humano negociar com a vida, reinterpretá-la, reinventá-la, ser-lhe flexível, sem ser inerte. Ser sujeito ativo da existência dolorosa ,sem com ela romper, é um desafio para todos os que sofrem.
        Não tenho a audácia de antever como agiria em situações que não vivi jamais. Por isso, tenho empatia diante do que, hoje, chamo de "erro" cometido por Ramón na eutanásia. Poderia ser meu erro, sem dúvida. Mas nada me impede de idealizar,pretensiosamente,  um eu que pudesse optar pela vida numa situação semelhante.
         Estranhamente, o filme que pretendia convencer-me da validade da eutanásia ativa num caso de tetraplegia, fez-me ver quão grande é a capacidade do ser humano de se adaptar e encontrar  vida onde imaginaríamos só haver dor e sofrimento. Ramón VIVEU naquele leito de seu quarto por mais de duas décadas. Sua vida foi digna. Mais digna do que a de muitos que se locomovem. E, por isso, ele merece profunda admiração e respeito.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Poucas palavras de início de fevereiro...

Fevereiro começou com muitas imagens e sons no blog, e com poucas palavras escritas...
Também na arte que me toca, na que eu amo, existe algo meu, do que eu quero falar, tanto quanto no que eu escrevo.
E, além do mais, sempre adorei as imagens, as músicas. E estas, por sua vez, sempre me levaram a escrever.
Nunca soube cantar e não seria boa cineasta...mas deixo que fale, por mim, aquilo que,a mim, muito fala.

Anonimo Veneziano, 1970 Final

ESSE FILME, PARA MIM, É UMA DAS METÁFORAS DO AMOR

Keane - Everybody's Changing