Em "Midnight in Paris", Woody Allen parece sustentar a tese de que não existe a "idade de ouro", pois cada ser humano idealizaria, fantasiosamente, as décadas que lhe precederam, julgando terem sido elas melhores do que o presente. No entanto, o final feliz e ingênuo do filme surpreendeu-me: é como se ele contrariasse o restante da trama. Afinal, se não existe a "golden age", como pode haver uma "cidade de ouro", mítica, pela qual tudo se larga e em que se cruza com uma mulher, igualmente idealizada, numa ponte?
No filme, destrói-se o mito do culto ao passado, mas não do culto a Paris ou do amor romântico.
Ça va...não discordo de Woody Allen (aliás, essa última frase soa megalomaníaca). A verdade é que, talvez, não possamos viver sem mitos. Ou que tenhamos que nos desfazer deles muito lentamente, em doses homeopáticas, conforme a vida nos dê algo que os susbstitua: sejam novos mitos ou realidade. Ainda assim, quem saberia dizer onde termina um mito e começa uma realidade, se quem define o real são os próprios olhos que mitificam o mundo?
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