sexta-feira, 10 de junho de 2011

MEDO

     Eu tenho medo da "força da grana que ergue e destrói coisas belas" (C. Veloso). Não só coisas; pessoas, também. Eu tenho medo de pensar que essa grana é o maestro da sinfonia a que chamamos de vida, e segundo a qual, dançamos constantemente, sem pensar em quem ou no quê conduz a orquestração. Tenho medo, muito medo.
       Quando eu fecho os olhos, vejo uma enxurrada muito forte de lodo, que arrasta a tudo e todos. Alguns tentam se segurar aqui e acolá. Não sei nem por quanto tempo conseguirão. Outros caminham desatentos à força destruidora que lhes surpreende e leva embora. A lama também é feita de água. E a água é vital. Desde que limpa...
        Ah! O ego...esse ego insaciável, que diz: "dê- me poder; dê-me dinheiro para que eu valide minha existência". E as outras formas de validação? Não são muito melhores:"Dê-me aplausos; dê-me elogios, reconhecimento". Sim, o ego é um senhorio exigente e cruel que, na busca por legitimar o existir, destrói a  essência da própria existência.

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