sexta-feira, 18 de março de 2011

Os porcos e as pérolas

         Alice contemplava, assustada, o porco com o colar de pérolas de sua tataravó no pescoço. O animal chafurdava-se na lama, alheio a tudo e a todos, mas com a elegante jóia ostentada . É bem verdade que as pérolas estavam escurecidas pelo lamaçal que lhes respingava mas, ainda assim, eram pérolas preciosas, herança de família. Alice temeu que o colar se rompesse num dos movimentos mal calculados do porco. Ele era, todavia, pesado demais e movia-se, por essa razão, vagarosamente, sem rompantes. É possível que o colar não se desfizesse, portanto. Alice percebeu, então, que estava coberta de lama, e que o porco crescia cada vez mais. Olhou para baixo e viu pés rosados. Ou melhor, patas. Eram quatro. E eram suas. E ela nem sequer tinha o colar de pérolas que lhe era de direito! Passado algum tempo, outros porcos chegaram e a lama, aos poucos, transformou-se num lago de pérolas manchadas pela chafurda, onde chafurdaram-se todos alegremente.

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