domingo, 27 de março de 2011

À humanidade

     Em algum lugar do mundo, neste momento, há uma enfermeira que se esqueceu do valor do que faz porque não lhe pagam bem. Há também um porteiro que não entendeu que vale tanto quanto aqueles que, no prédio que ele vigia, moram; há  ainda um cobrador de ônibus- e eu quase o vejo com clareza- que não reconhece que é tão importante quanto aquele rosto da primeira página daquela revista de ricos e famosos. Há uma mulher grávida que não compreende a magnitude da graça que lhe é dada pois lhe disseram que era uma desgraça gestar vida em meio à pobreza. Há uma professora que se sente menos útil do que o acionista de Wall Street. Há um médico que inveja os legisladores que aumentam o próprio salário e se olvidou do caráter sagrado da profissão que abraçou. Em algum lugar, uma criança não sabe ainda o que é amor. Quando descobrir, já será tarde demais. Noutro lugar, um pai se esqueceu da importância de sua missão. Em qualquer lugar, alguém chora porque o mundo virou de ponta cabeça , enquanto todos tentam fingir que ainda estão em pé. Só pode se levantar quem sabe ter caído.

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