Saudações da prima que muito lhe quer bem!
Minha cara, veja só em que engraçada confusão me meti: caminhava conforme me disseram papai e mamãe. Em linha reta. Estrada boa. O tempo também estava agradável. Era perto do lago onde nadamos naquele Natal. Lembra-se? Bem, já não importa. De repente, tropecei e ouvi novas instruções acerca da trajetória a tomar, vindas de vozes estranhas.Vozes de desconhecidos, pretensos conhecidos. Optei pela direita numa bifurcação, conforme me fora ordenado. Foi na altura daquela árvore frondosa, perto da fazenda do tio Mário. Recorda-se? Ah, já não tem importância. Os aplausos foram tantos pela opção feita! Seduzida, optei pela direita na próxima bifurcação também, esperando nova ovação. No entanto, só vaias obtive. Olhei, envergonhada, e ninguém vi. Era só minha a caminhada. Mas, os outros, ainda assim, de algum lugar, importunavam-me. Optei, então, pela esquerda na outra encruzilhada. Aplausos, ansiosa, esperei. Silêncio. Estava só. E só caminhei por longo período até ouvir novas vaias. "Mas, agora, pelo quê?"-pensei. Não havia desviado a trajetória, nem em um só milímetro, nos últimos três quilômetros! Ah! Quando percebi, já não sabia para onde ia. Estou numa cidade que se chama Vassfghborgstrassmanhig. Não consigo pronunciar o nome desse vilarejo. Devo ter a língua presa. Não é possível. Nome simples como esse.Bem, não conheço ninguém aqui. Estranhamente, não soube dizer meu nome na pousada onde queria fazer check in para pernoitar. Já é tarde. Veja só que tolice a minha! Esqueci-me do meu nome....ah, sua prima é uma tola...estou a gargalhar. Que piada! Vamos todos rir desse incidente bobo no próximo Natal, sem dúvida. Pensei em ir visitá-la mas , daqui, não sai trem para sua cidade. Esqueci-me da capital de nosso país. Poderia pegar um trem até lá para a conexão, né? Ah, sua prima é uma tolinha mesmo. Aprontando nesse agradável e pitoresco vilarejo... A temperatura lá fora deve ser de menos vinte graus. Tudo bem.Estou com o casaco da tia Ana. Aquele vermelho, de lã. Lembra-se? Ah, não importa. Você se importaria de me escrever dizendo meu nome? Ah, ajudaria dizer a capital de nosso país.Ajudaria , quem sabe, dizer o nome de sua cidade. Bem, acho que já que vai ter o trabalho de me escrever, poderia dizer, na carta, também como se chama o país em que estou. É só curiosidade.Ah, o nosso país! Como era o nome mesmo? Nada disso é urgente.Não tenha pressa, por favor. O importante é que ouvi dois aplausos enquanto procurava o Correio mais próximo. É sinal de que estou bem. Minha meta é voltar a ser ovacionada pelas multidões anônimas. Veja, eu nunca sei de onde vêm os aplausos ou vaias. Curioso, não? Estou a gargalhar sozinha de novo. Muito cômico..Ah, se não for muito incômodo, você poderia me parabenizar por algo na carta? Digo, só se não for incômodo...
De sua prima,
Ai não me recordo o nome. Perdão, Tatiana.
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